INFORMES TOXIKÓN

Ácido Trans-transmucônico urinário:
um biomarcador para baixas exposições ao benzeno
Henrique Vicente Della Rosa 1; Luciane Maria Ribeiro-Neto 2;
Suelly Lima Natal 3

O benzeno tem se constituído há muitos anos motivo de grande preocupação para a Medicina Ocupacional, visto que a exposição crônica a esse solvente tem provocado nos trabalhadores expostos, dependendo da dose e/ou concentração, do tempo e freqüência de exposição, sérios efeitos adversos à saúde, que vão desde uma severa anemia aplástica até uma leucemia e eritroleucemia. Até meados da década de 60, a patologia ocupacional do benzeno teve uma evolução significativa, envolvendo inicialmente os primeiros casos de benzolismo agudo e crônico, associados com elevadas concentrações desse agente químico no ambiente de trabalho. Nos anos 80 e 90, emerge o problema da ocorrência de leucemia, mesmo em trabalhadores expostos a baixas doses de benzeno e, como decorrência desse fato, foram objeto de atenção novas categorias de trabalhadores expostos a esse agente tóxico.
Atualmente existem vários tipos de exposição ao benzeno, destacando-se a exposição ocupacional na indústria petroquímica, depósitos portuários de combustíveis, siderúrgicas, indústrias químicas e a exposição ambiental da população em geral. Como decorrência desses fatos, ocorreram exaustivas discussões em nosso meio, que culminaram por formalizar o Acordo e Legislação sobre o Benzeno, como resultado de um processo de negociação ocorrido no Grupo Tripartite sobre o Benzeno, nomeado e instalado pela SSST/MTb. Um dos problemas, que se apresentou com a Instrução Normativa implantada, foi a constatação de que o marcador biológico utilizado até então, o fenol urinário, tornara-se obsoleto para avaliar níveis baixos de exposição, como preconizado (entre 0,5 e 2,5 ppm). Além disso, esse marcador biológico apresenta vários interferentes, que podem gerar confusões na avaliação ocupacional.
Procurando colaborar na empreitada de se buscar um novo marcador biológico que contemplasse a exposição ocupacional ao benzeno em baixas concentrações, desenvolveu-se um protocolo onde o objetivo inicial era testar a eficiência do ácido trans-transmucônico (t-tMA) urinário, um marcador biológico da exposição ocupacional ao benzeno, ainda pouco utilizado no Brasil, para avaliação de baixas exposições ao benzeno no ambiente de trabalho (~1 ppm) e o resultado obtido demonstrou que o trabalho foi coroado de pleno êxito.
A concentração do benzeno no ambiente de trabalho avaliado variou entre 0,01 e 1,78 ppm. A amostragem obtida do interior das máscaras dos trabalhadores desempenhando suas funções, utilizando máscaras para proteção respiratória, com linha de ar mandado, apresentou valores para o benzeno variando entre 0,04 e 0,97 ppm. Os resultados para o t-tMA urinário de trabalhadores não-ocupacionalmente expostos ao benzeno encontrados nesse estudo variaram de <0,25 mg/l a 0,36 mg/g creatinina para não-fumantes e de 0,17 a 0,23 mg/g creatinina para fumantes. Os resultados do t-tMA urinário de trabalhadores ocupacionalmente expostos ao benzeno foram de 0,14 a 1,85 mg/g creatinina para não-fumantes e de 0,11 a 4,29 mg/g creatinina para fumantes. Na determinação de t-tMA urinário de trabalhadores não-ocupacionalmente expostos ao benzeno, verificou-se, conquanto em pequena escala que os resultados obtidos (não detectado a 0,52 mg/g de creatinina) foram compatíveis com os descritos na literatura (<0,5 mg/g de creatinina). Os valores de referência e limite biológico de exposição propostos por LAUWERYS R. R; HOET, P. (1993) são, respectivamente <0,5 e 1,4 mg/g de creatinina. Concluímos, a partir destes resultados preliminares, que o t-tMA urinário pode ser empregado como um eficiente marcador biológico para atender as finalidades da Instrução Normativa da SSST/MTb, pois, embora não seja rigorosamente específico, apresenta uma alta sensibilidade.

Artigo extraído do Jornal da ANAMT
(Ano XI - Nº 5 - Fevereiro/Março 1999)


1. O Prof. Dr. Henrique Vicente Della Rosa é Diretor Científico da TOXIKÓN Assessoria Toxicológica e Professor de Toxicologia do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da FCF-USP
2. Luciane Maria Ribeiro-Neto - Faramcêutica-bioquimica, Supervisora Geral da TOXIKÓN Assessoria Toxicológica
3. Suelly Lima Natal - Farmacêutica-bioquímica, Setor de Cromatografia da TOXIKÓN Assessoria Toxicológica

[Voltar] Voltar [Retornar à página inicial] Página inicial [Retornar ao início desta página] Início desta página

© 1999 / 2010 - TOXIKÓN Ltda.

[TOXIKÓN Assessoria Toxicológica] [Uma visita virtual à TOXIKÓN] [Novidades] [Página Inicial] [Legislação Brasileira] [Links de Interesse] [TOXIKÓN Higiene Industrial]